Diário do processo de edição e finalização do meu primeiro livro, "Corpo Presente", pela Editora Planeta.
Aqui pretendo relatar o que de importante acontecer nesses dias, entre detalhes técnicos de edição, paranóias, angústias, bloqueios, motivações espúrias e tudo que envolve o processo de escrever, desde substâncias químicas até joguinhos mentais e auto-ajuda.
Todos os direitos reservados - João Paulo Cuenca, 2003
Terça-feira, Novembro 30, 2004
PARIS REVIEW
A Paris Review está gradualmente liberando o acesso para todas as entrevistas já publicadas pela revista. Eu recomendo a visita. Ver aqui.
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O evento no Itaú Cultural foi ótimo. No próximo sábado, publico crônica sobre os "Encontros de interrogação".
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Vou dar um jeito de criar, aqui no site, um arquivo com as crônicas publicadas. De vez em quando o site do JB fica ruim de bola.
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Você pode se lembrar do momento exato em que decidiu ser um escritor?
Hemingway: Não. Eu sempre quis ser um escritor.
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Há dezessete anos o senhor disse que "nenhum poeta honesto pode jamais ter certeza do valor permanente do que ele escreveu. Ele pode ter desperdiçado seu tempo e sua vida por nada." Você sente o mesmo agora, aos setenta anos?
T.S. Elliot: Podem haver poetas honestos que tem certeza. Eu não.
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What technique do you use to arrive at your standard?
Faulkner: Let the writer take up surgery or bricklaying if he is interested in technique. There is no mechanical way to get the writing done, no shortcut. The young writer would be a fool to follow a theory. Teach yourself by your own mistakes; people learn only by error. The good artist believes that nobody is good enough to give him advice. He has supreme vanity. No matter how much he admires the old writer, be wants to beat him.
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Sensacional e necessária a coluna do Paulo dessa semana no Nomínimo. Faço coro. Monocultura e ranhetice não combinam com essa cidade e, muito menos, com o trígono samba/chope/carnaval. O problema é que tem muita gente se divertindo a sério. E isso é uma chatice.
Pediram um texto curto que respondesse a pergunta tema da mesa. Eis o que escrevi:
"Blog é apenas um meio de publicação. Uma ferramenta prática e ágil para disponibilizar textos e imagens pela internet. Um blog pode conter literatura, receitas de bolo, fotos pornográficas ou um diário adolescente. É um painel em branco, apenas.
Vejo essa discussão literatura versus internet como anódina perto do que realmente importa: a vitalidade e variedade da produção literária recente no país, esteja ela em blogs ou não. A internet pode ser um espaço para divulgar certa experimentação literária, como um dia foram as máquinas de mimeógrafo, ou os fanzines publicados por estudantes. E só. Não acredito que essa mídia tenha o poder de transformar a mensagem - como um dia teve a televisão em relação ao cinema. Literatura está acima disso. Repito: blog é apenas um meio de publicar palavras que devem ser julgadas pelo seu mérito, seja ele qual for.
Não julgo um texto por ser publicado num livro, num blog ou rabiscado num guardanapo. E tampouco enxergo influência da existência dos blogs na literatura que se produz hoje em dia. Se é confessional e fragmentada, isso já existia muito antes de internet, computador ou máquina de escrever. Enfim, acredito que a crítica e a academia devem superar esse debate em breve.
Quando eu descrevo a MINHA mulher, ela sente-se incomodada em perceber a sua INTIMIDADE revelada e exposta. Se, por outro lado, eu INVENTO uma completamente diferente, a MINHA mulher pensa que eu estou descrevendo uma das minhas VAGABUNDAS - que por sinal, não as tenho.
Como você faz?
Atenciosamente,
PUPILO do IRAJÁ
Simples, caro PUPILO: utilizo apenas personagens MASCULINOS.
"Brian Wilson é um sobrevivente. Foi até os recônditos da alma e nos trouxe melodias puras e únicas. Sua alma frágil, exposta na superfície pelos gestos trêmulos e caminhar vacilante, foi capaz de gerar harmonias extraordinárias. A vida extravagante e insana que levou não é produto da mídia ou imagem para vender disco. Tampouco é fruto de vaidade ou falta de inspiração. Brian não é um Ozzy Osbourne ensolarado. Não é um Keith Richards de camisa florida. Não é o popstar junkie da vez fazendo pose de adolescente. Brian precisou ir fundo para contar a todos nós o que viu. E assim ajudou a nos dar a dimensão da fortuna de sermos humanos."
Sexta, 12 de Novembro - Netunos em São paulo
Revolution Party - FUN HOUSE - * Rua Bela Cintra, 567, São Paulo - SP
23h - R$ 5,00 de entrada + R$10,00 de consumação*. Mulheres pagam 5,00 + 5,00
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E no sábado, a crônica do JB é sobre Brian Wilson.