Diário do processo de edição e finalização do meu primeiro livro, "Corpo Presente", pela Editora Planeta.
Aqui pretendo relatar o que de importante acontecer nesses dias, entre detalhes técnicos de edição, paranóias, angústias, bloqueios, motivações espúrias e tudo que envolve o processo de escrever, desde substâncias químicas até joguinhos mentais e auto-ajuda.
Todos os direitos reservados - João Paulo Cuenca, 2003
Domingo, Outubro 31, 2004
SÁBADO
"Aliás, criança é ótimo detector de chato. Numa festa, quando uma criança odeia e esbofeteia alguém sem motivo aparente, eu confio cegamente no seu julgamento."
''Meu jovem poeta João Paulo Cuenca! Dia 16/10/04 li sua despedida para Sabino! Aos 65 anos, leio você e agradeço. Agradeço ter lido, e muito, Sabino, ter visto, e muito, Sabino pelas ruas de Ipanema com Rubem Braga, Paulo Mendes Campos etc. E agradeço mais ainda me deparar com o jovem poeta Cuenca - que escreve com a alma.''
Grace Marion Engel de Oliveira, Rio de Janeiro, por e-mail.
Cuenca e Sabino II
''Escreveu-se muito sobre a morte de Fernando Sabino, mas menos do que ele merecia. O meio literário tem dessas esquisitices e uma, que ressalta, é que Fernando Sabino não foi para a ABL, mas Mestre Sarney está lá. Mas do que se escreveu sobre o escritor, gostei mais do Da interrupção, um caminho novo, de João Paulo Cuenca, publicado no Caderno B no dia 16. Meus sinceros parabéns. Danei-me quando a crítica virou a cara a Sabino, quando ele escreveu Zélia, uma paixão. Que escritor não aceitaria escrever aquele livro histórico? Mas Sabino foi atacado, e como, por ter escrito a verdadeira história da gestão Collor. E como lhe cobraram outro O encontro marcado, como se suas crônicas não rivalizassem com o livro! Diziam que fazia biscoitos finos, crônicas, uma espécie de capitis diminutio (eta, latinório!) literário. O mesmo diziam de Rubem Braga, que também não foi para a Academia, onde está Paulo Coelho...''
"Preciso de uma prece que me liberte de ser completo. Que me liberte do que me afasta de mim mesmo. Que me liberte do viciado círculo social de jornalistas, editores e seus respectivos puxa-sacos de plantão. Que me liberte do restaurante cool com garçons de nariz pontudo e garçonetes atrizes em ascensão. Que me liberte do clima falsamente espontâneo dos neobotequins e seu mármore envelhecido de propósito. Que também não deixe de me libertar dos escritores, seus cânones, grupelhos e pequenas vaidades. Que me liberte da boa mesa, da boa crítica e dos bons modos. Me liberte do olhar dissimulado do artista da vez por trás de óculos de aros grossos. Me liberte da aceitação irrestrita, do sucesso de público e dos tapinhas nas costas."
Há exatamente um ano eu encarava o lançamento do "Corpo presente" na Livraria da Travessa. Ainda não sei direito o que pensar sobre tudo (e bota tudo aí) o que aconteceu nos últimos 365 dias.
Hoje atualizei partes do site que estavam abandonadas. Se eu pensar no ritmo com que atualizo isso aqui, certamente é uma MEGA atualização. O clipping (embora ainda esteja defasado), a parte de resenha do leitor (com destaque para o artigo recém recebido do Mariel Reis), a página de entrada (agora com links para compra) e a descrição do "autor". Deletei o fórum porque acho que ele nunca pegou - e também nunca fez muito sentido.
Estou pensando em matar esse blog. Enterrá-lo com fanfarra, serpentina e confete. Mas ainda não tenho certeza disso.
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Matéria que saiu na última Trip:
LIVRO DE CINEMA Os melhores livros transformados em filme na opinião de três escritores cujas obras, em breve, poderão ser vistas na tela grande
Neste domingo serei DJ na Take it Easy. O set será temático: canções para AMAR e dançar juntinho à beira da lagoa. Vai rolar rhythm and blues, motown, samba-canção, folk, algumas coisas mais moderninhas e o que der na minha telha.
Vida te sinto mais bela
Te fico na espera
Me sinto tão só, mal
O tempo que passa
Em dor maior, bem maior
Vida no que se apresenta
O triste se ausenta
Fez-se a alegria
Corra e olha o céu
Que o sol vem trazendo bom dia
Ah, corra e olha o céu
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The man in me
(Bob Dylan)
The man in me will do nearly any task,
And as for compensation, there's little he would ask.
Take a woman like you
To get through to the man in me.
Storm clouds are raging all around my door,
I think to myself I might not take it any more.
Take a woman like your kind
To find the man in me.
But, oh, what a wonderful feeling
Just to know that you are near,
Sets my a heart a-reeling
From my toes up to my ears.
The man in me will hide sometimes to keep from bein' seen,
But that's just because he doesn't want to turn into some machine.
Took a woman like you
To get through to the man in me.
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Rugas
(Nelson Cavaquinho, Augusto Garcez e Ary Monteiro)
Se eu pensar muito na vida
Morro cedo, amor
Meu peito é forte
Nele tenho acumulado tanta dor
As rugas fizeram residência no meu rosto
Não choro pra ninguém
Me ver sofrer de desgosto
Eu que sempre soube
Esconder a minha mágoa
Nunca ninguém me viu
Com os olhos rasos d'água
Finjo-me alegre
Pro meu pranto ninguém ver
Feliz aquele que sabe sofrer
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"Certo dia, comecei a escrever, sem saber que me tinha acorrentado a um senhor, sem dúvida nobre, mas inclemente. Quando Deus nos concede um dom, dá-nos também um chicote; esse chicote destina-se unicamente à autoflagelação. Era extremamente divertido ao princípio. Deixou de o ser, quando descobri a diferença entre escrever bem e escrever mal. Fiz, então, uma descoberta mais alarmante; a diferença entre escrever muito bem e a verdadeira arte é sutil, mas cruel. E, depois disso, caiu o chicote."
Truman Capote, prefácio de "Música para camaleões" (citação roubada)
"A NEGRA CANTA. Então pode-se justificar sua existência? Só um pouquinho? Sinto-me extraordinariamente intimidado. Não é que tenha muita esperança. Mas sinto-me como um sujeito completamente gelado que, após uma viagem na neve, estivesse entrando de repente num quarto aquecido. Creio que permaneceria imóvel perto da porta, ainda frio, e que arrepios percorreriam seu corpo todo.
Some of these days
You'll miss me honey
Será que poderia tentar... Naturalmente não se trataria de uma música... mas será que não poderia, num outro gênero? Teria que ser um livro: não sei fazer outra coisa. Mas não um livro de história, isso fala do que existiu - jamais um ente pode justificar a existência de outro ente. Meu erro foi querer ressuscitar o sr. de Rollebon. Outro tipo de livro. Não sei bem qual - mas seria preciso que se advinhasse, por trás das palavras impressas, por trás das páginas, algo que não existisse, que estaria acima da existência. Uma história, por exemplo, como as que não podem acontecer, uma aventura. Seria preciso que fosse bela e dura como aço e que fizesse com que as pessoas se envergonhassem de sua existência.
Vou embora, sinto-me vago. Não me atrevo a tomar uma decisão. Se tivesse certeza de ter talento... Mas nunca - nunca escrevi nada nesse gênero; artigos históricos, sim - e mesmo assim...
Um livro. Um romance. E haveria pessoas que leriam esse romance e diriam: "Foi Antoine Roquentin que o escreveu, era um sujeito ruivo que estava sempre nos cafés". E pensariam em minha vida, como eu penso na dessa negra: como algo precioso e meio lendário."
Trecho de A Naúsea (La Nausée - 1938), primeiro romance de Jean-Paul Sartre
Hoje é o debate lá no SESC. 20hs, Rua Domingos Ferreira, 160. Lembrando: na mesa estarão Marcelo Moutinho (mediador), a professora Beatriz Resende, a editora do Idéias (JB), Cristiane Costa, e os escritores Adriana Lisboa e João Paulo Cuenca.
Tem dias em que Afghan Wigs é a melhor banda do mundo.
My curse
(Dulli)
You hurt me baby
I flinch so when you do
Your kisses scourge me
Hyssop in your perfume
Oh, I do not fear you
And slave I only use
As a word to describe the special way I feel for you
You look like me
And I look like no one else
We need no other
As long as we have ourselves
But I won't cry about it
Every time you get obsessed
Every time I came undressed
All ugly thoughts are gone
I'm sure we'll all be friends
I'll try to break your back
You'll try to make amends
Curse softly to me baby
And smother me in your love
Temptation comes not from hell but from above
And there's blood on my teeth
When I bite my tongue to speak
Zip me down, kiss me there
I can smile now
You won't find out ever
Hurt me baby
I flinch so when you do
Your kisses scourge me
Hyssop in your perfume
Oh I do not fear you
And slave I only use as a word to describe
The way I feel when I'm with you
If I have to lie about it everytime I came undressed