Diário do processo de edição e finalização do meu primeiro livro, "Corpo Presente", pela Editora Planeta.
Aqui pretendo relatar o que de importante acontecer nesses dias, entre detalhes técnicos de edição, paranóias, angústias, bloqueios, motivações espúrias e tudo que envolve o processo de escrever, desde substâncias químicas até joguinhos mentais e auto-ajuda.
Todos os direitos reservados - João Paulo Cuenca, 2003
Quinta-feira, Abril 29, 2004
ENTREVISTA
Em SP dei uma entrevista pelo telefone à Renata Albuquerque, do Literatura Online. Leia aqui. Temo que as declarações da maneira em que foram expostas, de certa forma tiradas do contexto das perguntas, tenham soado um pouco arrogantes. Mas tá lá.
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"O maior risco da vida
e mais perigoso é amar,
que morrer é acabar
e amor não tem saída"
Gil Vicente, O velho e a moça
"Tenho dito muitas vezes: perto das mulheres a vida é um serviço militar, um serviço que deveria ser obrigatório para a juventude, pois completa a educação e forma o caráter; com ela triunfamos sobre as nossas debilidades e, o que é mais importante, aprendemos a cuidar do detalhe pessoal, a arrumar a cama, a preparar o chá."
Adolfo Bioy Casares, Histórias de amor
"Hoje tão escuramente
Passeias, tardas, te arrastas
Num vasto alheiamento
Dentro do meu ser"
Hilda Hilst, Da morte, odes mínimas
"Quando a felicidade está pra chegar
Dá até medo
Dá até medo
A gente pensa que vai morrer mais cedo"
Samba paulistano de autor desconhecido, ouvido no carro de Chico Mattoso na Av. Rebouças às 15:34 do dia 24 de abril.
Hoje, quarta-feira, darei uma palestra falando sobre tudo, e um pouco também sobre livros e sobre a minha precoce trajetória. Começarei com uma breve leitura de um trecho do CP - depois seja o que deus quiser. Inimigos, carreguem seus rifles. É uma boa chance.
João Paulo Cuenca, autor de "Corpo presente" na Casa da Leitura
Rua Pereira da Silva 86, Laranjeiras
28.04.2004, quarta-feira, às 14hs
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TAVA PENSANDO CÁ COM MEUS BOTONES, de qual trecho o gringo que fez o resumo do meu livro pra Grant & Cutler tirou o OPTIMISTIC em "The protagonist leads an obsessive life, searching for an impossible love, yet remaining optimistic in the midst of his claustrophobic reality."
Descobri que meu livro está sendo vendido na Grant & Cutler. Se você está em Londres, pode encontrá-lo aqui.
Cuenca, João Paulo
Corpo presente
pp.142, 2003 (Planeta) 8574796395, £15.40
The protagonist leads an obsessive life, searching for an impossible love, yet remaining optimistic in the midst of his claustrophobic reality.
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Para as centenas de pessoas estão caindo aqui pela home da globo.com, momento propaganda:
Sinto como se ainda estivesse preso em 2002. Apesar de tudo.
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Estou escrevendo crônica sobre minha ida à SP. Depois publicarei aqui.
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Respondendo complicada entrevista do Vinicius Jatobá, para o Paralelos, onde ele fez o que talvez seja a melhor pergunta que já fui obrigado a responder.
"Trechos de um conto seu publicado na revista 'Ficções' apareceram dentro da sua narrativa, reformulados; também algumas entradas do seu blog, idéias debatidas, foram citadas e desenvolvidas no corpo narrativo de 'Corpo Presente'. Essa auto-citação e reescritura de textos diversos sob a máscara de um mesmo narrador levam a crer que, no fundo, seu romance é uma recriação muito mais íntima do que certas resenhas podem levar a crer, uma literatura citacional onde experiência direta leva à constante recriação imediata. Qual é a poética que você criou entre você, J. P. Cuenca, indivíduo e o ser que leva o mesmo nome e que é o personagem do blog? E entre esse personagem e aquele que narra seu romance de estréia e o cita, misturando as identidades? E, também, como a sua relação com a linguagem é, até que ponto, sua relação com sua biografia e vida cotidiana?"
Vinicius, tá complicado, mas te mando as respostas ainda hoje.
Estou quase vivo. O lançamento foi ótimo, amigos ilustres e leitores, apesar da chuva. Depois escrevo mais sobre. Agradeço de coração aos que foram, grandes presenças. E também aos que enviaram emails e emanaram boas energias. Sem vocês eu não sou porra nenhuma.
Não consigo dormir em SP. Não consigo mais dormir em lugar nenhum. Cinco horas de sono e acordo, como se nada. Também não tenho mais ressaca. Aos poucos, vou perdendo. Um anjo roubou minha paz. Seguem batendo portas. Ou vai ver sou eu que entrego a chave?
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A senhorita percebe que ser é nada mais que intenção? Não há porque haver hierarquia entre o que é e o que se diz não ser real. Quando penso nisso, acredito que sou um sonho, sonhado pelo menino dentro do meu sonho. E isso me tira completamente o medo de você.
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Do Rio me fazem falta duas ou três coisas. E nada mais.
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Pureza. Descobri que eu e Nelson Rodrigues não nascemos para esse mundo.
Amigos de SP, quinta-feira vou praí. Ficarei hospedado na pousada de CHICO MATTOSSO, mi gran compañero. Bienal, reuniões, amigos e, na segunda, o lançamento.
Lançamento "CORPO PRESENTE" em SP
Mercearia São Pedro
Rua Rodésia, 34 - Vila Madalena, 05435 - São Paulo
Fone: 11 3815 7200
Segunda-feira, 19/04/2004, das 19:30 até o último amigo
Em breve, flyer por aqui. Divulguem!
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vou escrever seu nome
num pedaço de papel
ferver água, jogar canela
sakê e dois ovos frios
mexo tudo no liquidificador
e saio por aí, regando as árvores
Na sexta-feira próxima, dia 16, a TV Bandeirantes do Rio, ao que tudo indica, cometerá a irresponsabilidade de transmitir uma matéria comigo. Vieram aqui em casa e me filmaram fazendo café, lavando o rosto, vendo tv etc (é sério). Depois saímos pela Princesa Isabel e os caras me filmando, segurando cabos, correndo atrás. Os malucos do boteco aqui debaixo nunca mais me respeitaram depois dessa. Depois fomos no Cervantes, onde me filmaram tomando um chope.
Enfim, eu ia esconder isso, mas quem tem a paciência de me acompanhar talvez mereça ver. Bandeirantes, dia 16, às 14:30.
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Ferreira Gullar será o convidado especial da Casa da Leitura, no Rio, nesta quinta-feira (15/4). Ele falará, às 14h30m, especificamente sobre sua premiada adaptação de "D. Quixote", de Cervantes. Gullar é o grande destaque da programação de abril da Casa de Leitura, que também contará com o jovem João Paulo Cuenca, autor de "Corpo presente", no dia 28, às 14h, e com Luciana Sandroni, falando de Monteiro Lobato, no dia 29, também às 14h. A casa fica na Rua Pereira da Silva 86, em Laranjeiras. (Do Literal, via Epiderme)
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Saí mal na foto, mas valeu a matéria do Marcelo Moutinho na revista Outracoisa.
"A literatura em dois solos virtuosos e dissonantes
Marcelo Moutinho
Entre radicais solos de guitarra e a delicadeza de uma flauta transversa trafegam dois jovens talentos da literatura brasileira. Com "Corpo presente", ele provou que narrativa fragmentada e virulência não precisam ser sinônimos de afetação. Nos romances "Os fios da memória", "Sinfonia em branco" e "Um beijo de Colombina", ela insiste num lirismo que está na contramão dos atuais rumos de nossa prosa. Diante de tamanha disparidade, as trajetórias de João Paulo Cuenca e Adriana Lisboa amalgamam-se quando o quesito em questão é a qualidade.
Talvez por falta de assunto mais relevante, já há algum tempo a crítica literária tupiniquim tem concentrado suas atenções num verdadeiro tiroteio verbal que divide duas correntes. Posando de contemporâneo, crente que o pós-modernismo ainda é vanguarda, um dos grupos defende o que se convencionou chamar de "neonaturalismo". Na outra ponta, armados de um anacronismo que repele qualquer vitalidade, postam-se saudosos suplicantes por respeito absoluto às técnicas tradicionais do romance, da poesia e do conto. Cuenca e Adriana vêm embaralhar esse jogo (...)."
Depois vejo se consigo a versão integral do texto.
Abaixo, dois momentos distintos na vida de um jovem escritor, primeiro posando para foto de divulgação na extinta Vila Palácio, localizada no aprazível bairro do CATETE. Em seguida vemos o jovem escritor trabalhando na escritura de seu primeiro romance, "CORPO PRESENTE".
Outro dia comprei um novo velho livro do Waly Salomão, editado originalmente em 1972 e republicado agora em primorosa edição da Aeroplano.
Antônio Cícero escreve o prefácio que deixou duas ou três frases ecoando por aqui nos últimos dias, e que me lembraram muito de Espinosa (não o técnico). Em certo ponto, Cícero fala da teatralização da vida e dos seus dramas pelo Waly quando, por exemplo, o poeta foi preso e torturado. E deixa Waly falar: "eu transformava aquele episódio, teatralizava logo aquele episódio, imediatamente, na própria cela, antes de sair. Eu botava como personagens e me incluía, como Marujeiro da Lua. Eu botava como personagens essas diferentes pessoas e suas diferentes posições no teatro: tinha uma Agente Loira Babalorixá de Umbanda, tinha um Investigador Humanista e o investigador duro. O que quer dizer tudo isso? Você transforma o horror, você tem que transformar. E isso é vontade de quê? De expressão, de que é isso? Não é a de se mostrar como vítima."
Depois da citação do Waly, Cícero arremata:
"A vítima é o objeto nas mãos do outro. Todos nós já fomos vítimas de diferentes coisas, em diferentes momentos; porém é preciso ativamente rejeitar esses momentos, relegando-os, ainda que recentíssimos, ao passado - ainda que recentíssimo. Quem aceita a condição de vítima no presente, quem diz: "sou vítima" está, ipso facto, a tomar como consumada a condição de não ser livre. É contra essa atitude de implícita renúncia à liberdade que Waly teatraliza sua situação. (...) Não se deve cair no equívoco de supor que a teatralização de que estou falando consista simplesmente em opor ao mundo real o imaginário. Não é o delírio ou a alucinação que Waly aqui defende. Não se trata de opor o teatro ao não-teatro. O que ele julga é, antes, que tudo é teatro."
Quando Cícero fala de autocomiseração, imediatamente lembrei do Espinosa e de suas paixões tristes. Vitimizar-se é uma paixão triste como todas as outras, subtrai nossa potência, retira de nós liberdade e o único poder que temos - sobre nós mesmos. Para Espinosa somente a alegria é valida, só ela permanece e nos aproxima da ação. A paixão triste é sempre impotência. Mas Espinosa, contradizendo Waly, prega a "formulação de idéias adequadas e a consciência de si mesmo, de Deus e das coisas".
Acho que estou com Waly nesse ponto, em acreditar numa consciência subjetiva, ficcional. Cícero diz "por trás da máscara, há o escritor". E por trás do escritor? Outra máscara.
"Se liga no papo reto, palhaço! Se eu ligo a música, você começa a rebolar. Agora... Se rebolar sem música, eu te furo."
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"Nossa! Depois que a gente transou, minha vida sexual com meu namorado melhorou muito!"
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"Acho que o lance é virar bicha logo, porque essa mulherada tá muito filha da puta."
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- É, eu acredito nisso. No momento exato.
- Um momento específico?
- Sim. E foi depois dele, exatamente depois, que eu comecei a ruir. A curva...!
- E qual foi?
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- Porra, mané! Várias minas na tua cola e tal... E tu nem pá!
- Várias. Mas não uma...
Normalmente não escrevo coisas do gênero por aqui, mas os recentes acontecimentos me inspiram um post CARDOSO STYLE.
Passei os últimos dias BUNDEANDO na cidade de CABO FRIO, onde fixou residência minha mãe, fugindo da onda de ESTUPIDEZ E VIOLÊNCIA que assola o rio (VIDE acontecimentos recentes). POIS BEM, carregando uma prancha de SURF, ganhei a faixa de areia com a companhia de meu irmão de DEZESSEIS anos, já um veterano em DESBRAVAR mares. Minha experiência com o mundo do SURF se resumia a tocar guitarra em uma banda de surf music há quatro anos (NETUNOS) e algumas incursões ao BODYBOARDING na minha longínqua adolescência no LEBLON (alguém ouviu falar em MACH-77?).
FATO É que, seguindo orientações precisas, pude equilibrar-me por DUAS OU TRÊS vezes sobre o BÓLIDO, quebrando ONDAS e as regras do BOM SENSO que, mesmo que raramente, NORTEIAM minha EXISTÊNCIA.
HOUVE momentos de puro DELÍRIO, quando eu e meu QUERIDO IRMÃO dividimos o MAR com um CARDUME de gatinhas surfistas de QUINZE a DEZOITO que conosco trocaram olhares cúmplices sob o RÍTMO INESCRUTÁVEL das MARÉS. IMPRESSIONANTE a quantidade de meninas pegando ONDA.
DIGO que, nos CINCO segundos em que me MANTIVE DE PÉ sobre a prancha tomei SÉRIAS decisões sobre o RUMO de minha vida no restante deste PROFÍQUO ano de 2004. SE TUDO der CERTO, pretendo me mudar para o bairro de IPANEMA na metade do ano, dando FIM aos meus COPACABANA YEARS. Antes disso, comprarei um LONGBOARD, com o qual EXPLORAREI mares IPANEMENSES diariamente. Essas ações, junto ao meu PROJETO ADÔNIS 2004 (outro termo que roubei do CARDOSO, gênio-mor da bela PoA), FARÃO de MIM homem menos BOÊMIO e mais ADAPTADO e SAUDÁVEL para os DESAFIOS que seguirão. Isso sem falar no BRONZE.
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E isso tudo é muito sério.
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SÂO PAULO: O que acham segunda 19, Merceria São Pedro, 20hs? Ou melhor domingo?
Até que me provem o contrário vou para la ciudad de São Paulo para a Bienal. A princípio, vou no 15 e volto no 18. Quero aproveitar o ensejo para fazer um atrasadíssimo e cobrado lançamento do livro em SP. Com urgência, aceito sugestões.
A rapeize lá da Tribuna já reservou lugar pra mim no Pinel:
Douglas
O segurança me persegue, mão no meu ombro, não pagou, o senhor não pagou, distraído já ia saindo pela cortina de veludo preto, calçada de poça suja sob os pés, dou meia volta disposto a pagar, realmente um lapso, o senhor me perdoe, veja bem, não sou nenhum malandro, sou apenas um cara, mas não tem caô, não tem e o senhor vai ter que falar com o Douglas, que Douglas?, o Douglas!, tá lá dentro e-tá-te'sperando, esperando o senhor, o Douglas!, ó, fala direito com o Douglas, hoje não é dia bom, o senhor veja lá como vai fazer, mas eu posso pagar!, moço, aqui o dinheiro, deixa eu ir embora, já aqui a grana, tomalá, vou tomar meu rumo que amanhã é dia de trabalho, não tô de brincadeira na rua, mas não tem jeito, agora só com o Douglas, mermão!, o senhor tem que falar com o Douglas, ele já tá sabendo de tudo, e me segura pelo braço, entro novamente pela cortina de veludo preto, desvio das mesas à meia-luz, com a cabeça digo oi ao homem do bar vazio e escuro, o segurança me conduz para uma porta lateral, um descampado de chão de terra batida, ao redor grama mal cuidada, poucos barracos, uns moleques espreitam, riem da minha cara, dizem, esse aí vai conhecer o Douglas, tá fodido!, o Douglas vai acabar com ele, você vai ver, o Douglas!, num canto do quadrado de terra há uma pequena construção de madeira, algumas plantas se movem, o segurança desapareceu, só os moleques rindo na noite vazia do campo de várzea sem lua iluminado por um solitário poste e seus mosquitos, as plantas mexendo rápido, ouço um grunhir, os moleques se estrebucham de rir, da casa de tábua sai uma criança, menos de dois anos, é certo, menos de dois anos, mas engatinha como um cão e corre até minhas pernas, não tenho reação, finca os dentes na minha canela, tento chutar a cara da criança, mas Douglas é rápido, muito mais rápido e esperto do que eu, Douglas corre e pisa sem respirar, veias saltadas no pescoço largo, pequenas mãos levantando poeira do chão, quando olho, Douglas já deu a volta no meu olhar e crava os dentes na minha coxa, grito de dor, sangro, os moleques rindo, tá fodido!, dizem, rarara, é só o que sabem dizer, tá fodido!, e sento no chão, tento equilibrar-me enquanto Douglas espreita, uma criança, mas Douglas avança, penso, vou chutá-lo, vou arrebentar sua cara de bebê com o bico do meu sapato, mas estou descalço, e dou um chute com o peito do pé no rosto de Douglas, acho que quebrei o pé, mas Douglas cai alguns metros, rola pelo chão numa nuvem de terra, os moleques param de rir e me olham com medo, dou meia volta, largo um rastro de sangue pelo chão, Douglas parece quieto, estará morto?, meu deus, matei uma criança?, minha perna vacila, rasgo a calça para ver, tenho um buraco na perna, Douglas me arrebentou a perna, desgraçado, e tenho vontade de pisar em seu corpo que começa a engatinhar de volta para o buraco de onde saiu, me sinto poderoso, Douglas porra nenhuma!, que mané Douglas!, enfiei o pé no rabo de Douglas, onde está aquele segurança agora?, quero contar o que fiz com o Douglas que queria tanto me ver, agora cospe sangue pelo chão, ah, Douglas, o que queria comigo!, te mostrei umas, menos de dois anos, Douglas!
E foi isso. Pior foi o dia em que sonhei que estava numa loja de discos, podia levar sem pagar todos os discos da loja que era enorme e tinha dezenas de andares, gôndolas gigantescas, telões anunciando seus disputados produtos, e eu, com um carrinho de supermercado, podia carregar o que quisesse entre o grande catálogo da loja, a maior loja de discos do mundo. Mas não havia nenhum disco sequer que eu quisesse levar. E saí da loja sem nada.
Recebo email do Marcelino Freire anunciando o lançamento do livro "Os cem menores contos brasileiros do século".
O lançamento nacional acontecerá no dia 12 de abril, uma segunda-feira, a partir das 19 horas, na Livraria do Espaço Unibanco de Cinena paulistano (Rua Augusta, 1.475, fone 11 3141-2610).
Ao lado de muita gente boa, faço parte da antologia:
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Hoje, 30 cervejas na minha geladeira. Ah, o jovem escritor! À la merda! Quero me casar.