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chico queiroz

Diário do processo de edição e finalização do meu primeiro livro, "Corpo Presente", pela Editora Planeta. Aqui pretendo relatar o que de importante acontecer nesses dias, entre detalhes técnicos de edição, paranóias, angústias, bloqueios, motivações espúrias e tudo que envolve o processo de escrever, desde substâncias químicas até joguinhos mentais e auto-ajuda.

 

Todos os direitos reservados - João Paulo Cuenca, 2003



Quarta-feira, Outubro 25, 2006

BLOG NOVO

Blog novo aqui!

Vou deixar o Carmencarmen para assuntos unicamente referentes ao romance. Notícias sobre a adaptação para TV, reedições etc.

Em breve, espero ter boas novidades publicadas nesse espaço.

posted by JOÃO PAULO CUENCA | 3:50 PM


Quarta-feira, Junho 21, 2006

IMPROVISANDO NA SORBONNE

Journée d'Etudes CREPAL

ÉTUDES PORTUGAISES ET BRÉSILIENNES

Destinataires:

- Enseignants de Portugais de Paris III
- Membres du CREPAL
- Etudiants en Formation Doctorale
__________

Vendredi 30 Juin 2006 - 9h - 19h
Centre Censier - 13, rue de Santeuil, 75 005 PARIS
Salle 420 B

_____________

Le Paysage
(Nature et culture)


9h - Informations et questions diverses

9h30 - Roxane Eminescu : « Paysage et écriture de soi : autour des Mémoires de Fernanda de Castro »

10h - Michel Laban : « La nature dans Kanaxixi Kaimi »

10h 30 - débats - pause

11h - « un écrivain et son oeuvre » : entretien avec João Paulo Cuenca - autour de son roman Corpo Presente (2003)

13h - Déjeuner

15h - Hailton P. Duarte : « Paysages de la sécheresse vus par Francisco Gil Castelo Branco, José do Patrocínio et Rofolfo Teófilo »

15h30 - Sandra Assunção : « La perception de la nature par l¿enfant roseano »

16h - Jorge Santiago : « Paysage musical et identité locale »

16h30 - Débats - Pause

17h - Mônica Cristina Corrêa : « La forêt amazonienne vue par Erik Orsenna »

17h30 - Jacqueline Penjon : « Frey Apollônio, un regard européen sur l'Amazonie »

18h - Débats

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Quem estiver em Paris, estah convidado - e me perdoem pela falta de acentos no computador.

posted by JOÃO PAULO CUENCA | 7:26 PM


Terça-feira, Março 14, 2006

Paris, ontem.

Não sei quando volto a atualizar isso aqui.

Mas volto.

posted by JOÃO PAULO CUENCA | 11:22 AM


Segunda-feira, Dezembro 05, 2005

BS AS







posted by JOÃO PAULO CUENCA | 8:52 PM


Quarta-feira, Novembro 02, 2005

SOBRE TELA



Participo, mui bem acompanhado, da belíssima antologia "Contos sobre tela", onde escrevo sobre pintura do Leonilson. A tela que escolhi acabou ilustrando a capa do livro.

As boas (e más) línguas dizem que o vinho dessa vez será bom. Veremos.

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A escalação completa: Adriana Lunardi (Pedro Weingartner), Ana Paula Maia (Goeldi), Antônio Mariano (Pedro Américo), Arnaldo Bloch (Gonçalo Ivo), Bianca Ramoneda (Waltércio Caldas), Diana de Hollanda (Isamel Nery), Fabrício Carpinejar (Guignard), Flávio Izhaki (Di Cavalcanti), Ivana Arruda Leite (Pancetti), João Anzanello Carrascoza (Raimundo Cela), João Filho (Rubem Grilo), João Paulo Cuenca (Leonilson), Luciano Trigo (Adriana Varejão), Marcelo Moutinho (Iberê Camargo), Nelson de Oliveira (Cândido Portinari) e Pedro Süssekind (Milton Dacosta). O prefácio foi escrito pelo José Castello e a organização é do Marcelo Moutinho.

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Aliás e a propósito: segue uma pequena declaração de intenções para abrir o mês chuvoso, retirada do caderno do Leonilson em 1989:



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Canções da madrugada (clique em uma de cada vez):

Bob Dylan - You're gonna make me lonesome when you go



Smog - All your women things

.

Ry Cooder - Paris, Texas

posted by JOÃO PAULO CUENCA | 2:16 PM


Quarta-feira, Outubro 26, 2005

O MOMENTO


23/10/2005



I want you
Elvis Costello

Oh my baby baby I love you more than I can tell
I don't think I can live without you
And I know that I never will
Oh my baby baby I want you so it scares me to death
I can't say anymore than "I love you"
Everything else is a waste of breath
I want you
You've had your fun you don't get well no more
I want you
Your fingernails go dragging down the wall
Be careful darling you might fall
I want you
I woke up and one of us was crying
I want you
You said "Young man I do believe you're dying"
I want you
If you need a second opinion as you seem to do these days
I want you
You can look in my eyes and you can count the ways
I want you
Did you mean to tell me but seem to forget
I want you
Since when were you so generous and inarticulate
I want you
It's the stupid details that my heart is breaking for
It's the way your shoulders shake and what they're shaking for
I want you
It's knowing that he knows you now after only guessing
It's the thought of him undressing you or you undressing
I want you
He tossed some tatty compliment your way
I want you
And you were fool enough to love it when he said
"I want you"
I want you
The truth can't hurt you it's just like the dark
It scares you witless
But in time you see things clear and stark
I want you
Go on and hurt me then we'll let it drop
I want you
I'm afraid I won't know where to stop
I want you
I'm not ashamed to say I cried for you
I want you
I want to know the things you did that we do too
I want you
I want to hear he pleases you more than I do
I want you
I might as well be useless for all it means to you
I want you
Did you call his name out as he held you down
I want you
Oh no my darling not with that clown
I want you
I want you
You've had your fun you don't get well no more
I want you
No-one who wants you could want you more
I want you
I want you
I want you
Every night when I go off to bed and when I wake up
I want you
I'm going to say it once again 'til I instill it
I know I'm going to feel this way until you kill it
I want you
I want you
I want you

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Mais fotos que tirei no TIM aqui. Andei por lá credenciado e devo escrever algo sobre o festival.

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Cada vez que lembro, o show do Elvis Costello fica melhor. De fazer pedra chorar.

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Em breve, boas (ou más) notícias.

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Não reparem: a formatação do site logo volta ao normal.

posted by JOÃO PAULO CUENCA | 5:59 PM


Quinta-feira, Outubro 20, 2005

PRÓXIMA TERÇA

Fui convidado pelo escritor, tradutor e professor da PUC, Paulo Henriques Britto, a participar da primeira Jornada de Criação Literária da universidade no dia 25 de outubro. O evento é promovido pelo Curso de Formação de Escritor da PUC-Rio - o primeiro programa de bacharelado em criação literária criado no Brasil. Segue o serviço:

"O Curso de Formação de Escritor
do Departamento de Letras da PUC-Rio
promove sua primeira

Jornada de Criação Literária

Encontro com três jovens escritores:

Alberto Pucheu, poeta e ensaísta

João Paulo Cuenca, romancista e contista

Lilian Fontes, romancista e contista

Terça-feira, 25 de outubro, 13:00
Campus da PUC, prédio Frings, sala F300

Evento organizado por
Pina Coco e Paulo Henriques Britto"

Vejo vocês por lá!

posted by JOÃO PAULO CUENCA | 11:26 AM

ALGUÉM QUE PODERIA

Em algum banco desta praça, ou andando embaixo das árvores, alguém que poderia ser meu amigo esteve ou estará; alguém, homem ou mulher, mais próximo dos meus gostos do que as pessoas com as quais vivo. Não verei nunca, não saberei que respirou a umidade de uma tempestade de verão enquanto cruzava a praça de Santa Maria e ia mudando ociosamente, por brincadeiras e desesperança, a posição dos materiais que compunham seu mundo. Talvez tenha decidido aqui mesmo, passo a passo sobre o pedregulho revolto, dedicar sua vida a um só propósito ou, dá no mesmo, renunciar a todos os propósitos. Para mim é igualmente fácil compartilhar sua fé e a risada um pouco assombrada, um pouco medrosa, com que acolherá ou acolheu sua renúncia.

Trecho de "Junta-Cadáveres", de Juan Carlos Onetti (tradução de Luis Reyes Gil).

posted by JOÃO PAULO CUENCA | 11:03 AM


Terça-feira, Outubro 11, 2005

AINDA SEM INTERNET. ATÉ QUANDO, NÃO SEI.

posted by JOÃO PAULO CUENCA | 3:07 PM


Quinta-feira, Setembro 29, 2005

MUDANÇA

Enquanto estou na frente do computador, cinco caras de macacão azul desmontam e empacotam todo o meu apartamento.

É uma sensação estranha.

Saindo da correria, hoje às 18:30, estarei no Castelinho do Flamengo (ver post abaixo). Vejo vocês lá.

posted by JOÃO PAULO CUENCA | 12:38 PM


Quarta-feira, Setembro 14, 2005

posted by JOÃO PAULO CUENCA | 6:08 PM


Terça-feira, Setembro 13, 2005

PORTO

Ontem à noite sonhei que estava num barco que me levava para um destino específico, que confesso não me lembrar. Foi quando decidi, de supetão, ir para a região da Cidade do Porto, em Portugal, que estaria a algumas horas dali. O barco mudou de direção e seguimos a viagem.

Nunca fui à Portugal, muito menos ao Porto. Não sei porque sonhei com isso. Só sei que hoje, lendo o contador que me informa de onde são os visitantes do blog, achei uma visita, procurando meu nome no google.

Adivinhem de onde?

posted by JOÃO PAULO CUENCA | 7:33 PM


Segunda-feira, Setembro 12, 2005

DISCLAIMER

Na coluna publicada na TPM deste mês lanço uma série de imprecações sobre a internet e suas ferramentas, Msn, E-mail e, em especial, Orkut. Que ninguém leve a sério o desabafo: não é pessoal e não se refere a qualquer um que anda por aqui, comenta o blog, me envia emails e scraps, seja amigo antigo ou novo.

Todo o contato que tive até hoje relacionado com meu trabalho de escritor (gente que me reconheceu na orelha do livro e não me via há dez anos, emails loucos de leitoras da revista, desabafos por causa do livro etc) foi muito MUITO positivo.

posted by JOÃO PAULO CUENCA | 11:44 AM


Quarta-feira, Setembro 07, 2005

SÓ PRA COMPARTILHAR

Tenho deixado tudo para depois. A próxima coluna da revista, por exemplo. O prazo de entrega é amanhã, ao meio-dia, e ainda não sei sobre o que vou escrever.

posted by JOÃO PAULO CUENCA | 10:37 PM

ADORO FERIADO NUBLADO

Encontros no Castelinho do Flamengo, em primeiríssima:

"PALAVRAS PARALELAS - Entre 22 de setembro e 13 de outubro, todas as quintas às 18:30h, acontecerá no Castelinho do Flamengo um ciclo de debates cujo tema será literatura virtual e blogs literários.

As inscrições podem ser feitas por e-mail: castelinho@pcrj.rj.gov.br e o número de inscritos é limitado a 30.

O Centro Cultural Oduvaldo Viana Filho (Castelinho do Flamengo) fica na
Praia do Flamengo, 158 - Flamengo - RJ"


Falarei no dia 29/09 e ficarei mui feliz em encontrar leitores por lá. Depois, podemos esticar: a poucos metros do Castelinho fica o Boteco da Praia, um bar que vem ganhando minha simpatia - além de copiar os sanduíches do Cervantes com perfeição, nunca está cheio e serve um chope honestíssimo.

O Marcelo Moutinho falará no dia 22/09, Cristiane Costa no dia 06/10 e Cecília Giannetti no dia 13/10.

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Recebi correspondência da Paula Gicovate, estudante da PUC-Rio, me convidando para dar uma palestra aos alunos de formação de escritor no dia 15 de outubro. Convite aceito.

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Se ODIM estiver do meu lado, até o final do ano a crônica emplaca em outro veículo, mais espaçoso e arejado. Veremos.

posted by JOÃO PAULO CUENCA | 2:52 PM


Sexta-feira, Setembro 02, 2005

Por que esse blog ainda existe se ele é um "diário do processo de edição e finalização do Corpo Presente" e o livro foi lançado há quase dois anos?

Resolvi manter o blog por mais tempo porque a vida do CP acabou se estendendo. Depois do seu lançamento, foram publicadas resenhas sobre ele por mais de um ano. Decidi também reproduzir aqui crônicas que escrevi para a Tribuna da Imprensa e para o Jornal do Brasil, assim como algumas colunas da TPM. Depois, estive quase para matá-lo (o blog), mas a possibilidade de adaptar o CP para a tela voltou a surgir. É no que trabalho agora.

O blog relacionado ao CP vai existir até que essa adaptação aconteça fora do meu computador ou, no pior caso, seja cancelada definitivamente.

Depois, espero, o romance descansará em paz, longe de mim.

posted by JOÃO PAULO CUENCA | 4:56 PM


Terça-feira, Agosto 30, 2005

COLUNA TPM AGOSTO

Com certo atraso, publico aqui a coluna da última TPM.
A foto que ilustrou a coluna mostra a mesa de centro da minha ex-casa - na verdade um hotel em Copacabana onde morei por meio ano em 2004.
Percebe-se como sou um homem que preza pela organização.
Segue o texto:

As novas donzelas

(TPM - Agosto/2005)



Cinco espécimes machos da raça humana bebiam cerveja na calçada de um boteco. Barbudos e sujos, vestiam trapos e chinelos de dedo. Viravam copos por horas, e horas por muitos copos. Bradando frases de efeito, apertavam mãos em quedas-de-braço: injúrias, arrotos e cusparadas entre si. Palitavam os dentes, coçando os bagos e levando os dedos ao nariz. Eu era um deles. Na mesa ao lado, o mesmo número de fêmeas confraternizava, pirilampantes. Em trajes da última moda, tomavam o chopinho de fim de tarde. A cada meia hora, uma nova rodada, sorvida com delicadeza e mindinhos flutuando pelo ar. A lua se debruçava sobre a mesa fofinha das mocinhas, estudantes universitárias gesticulando com altivez e queixinhos empinados.

Os homens sapiens (semi-erectus, já numa hora dessas) arremessavam perdigotos uns aos outros e conversavam sobre os bastidores dos jornalões, mexericos do mercado editorial e novos lançamentos da indústria fonográfica. Sobre a poesia de Vinicius de Moraes. Sobre a decadência eterna do Mengão e os recentes triunfos do esquadrão canarinho. Sobre bebedeiras passadas e as muitas que virão. Sobre o filme novo do Woody Allen. Sobre política e terrorismo. Sobre amores passados e a vida e a morte das estrelas.

A mesa das moças, percebi esticando o ouvido direito, só tinha um assunto. Não era poesia, fofoca, cinema - muito menos a corrupção do erário. As moçoilas, animadíssimas e mui finas, divagavam sobre ereção. Pareciam ter experiência no assunto, pois correlacionavam diferentes biótipos e características pessoais dos espécimes estudados aos critérios de avaliação - tamanhos, formatos e cores. Uma delas acredita que homens magros são mais avantajados do que os gordos. Outra disse que altura não tem nada a ver com o negócio: o maior pipiu que botara na boca fora de um rapaz baixo e fracote. Falavam com liberdade indissoluta sobre o tema, gesticulando em voz alta, elegantérrimas. Ao perceber o colunista penetra, não fizeram por menos: aprofundaram-se no assunto, explorando os meandros do órgão genital masculino, suas veias, sabores, diâmetros e detalhes que fariam corar Paulo César Pereio, Jesse Valadão e o Analista de Bagé.

Voltei os olhos para meus amigos imundos, cheirando como o mictório do Maracanã, e me insuflei de pureza. Subitamente, éramos todos donzelas virgens do século 17, rapunzéis românticas, esquentando os cotovelos na janela à espera de um príncipe encantado montado em um cavalo branco - e não ele, o príncipe, um cavalo branco, notem a diferença. As fêmeas erectus haviam nos roubado, naquele preciso momento, a rédea da canalhice. Jamais ouvi uma mesa de homens num bar comentando, daquela forma, a profundidade, textura e elasticidade de um canal vaginal. O máximo que acontece é, apreciando as transeuntes, um "olha só que gostosa" emitido por um bebum antiquado no balcão do bar. Nada comparável ao requinte e grau de detalhe da narrativa das nossas vizinhas de mesa.

Um dos meus amigos ogros, jornalista e pai de dois filhos, contou entre arrotos e largos goles de chope um babado ocorrido mês passado: dois adolescentes foram detidos por ter filmado a transa de um deles com uma colega de escola, menor de idade. É apenas um de muitos casos do gênero que ainda virão à tona. A menina foi filmada sem saber enquanto tentava dar prazer ao pubescente membro de um dos garotos. Os pais da menina vieram a público dizer que o rapaz estragou a vida da filha, que a menina terá que se mudar para uma cidade menor, e que ficará marcada e traumatizada para sempre. Não chegaria a tanto. Há quem diga: pior para o pobre idiota que filmou e divulgou a história. O tiro do moleque saiu pela culatra - além de não saber trepar, ganhou fama de pouco avantajado e, pelo que dizem, está jurado de porrada. É um prego sem noção, um bobo, típico da idade.

O que tem a ver o caso dos garotos com as meninas do meu bar? Fundamentalmente: nada e tudo. Nos próximos anos, acredito que o destino da reputação dessa menina, tão temido pelos pais, vai provar quem, no final das contas e dos chopes, são as novas donzelas do século.

posted by JOÃO PAULO CUENCA | 3:58 PM


Segunda-feira, Agosto 22, 2005

THE GIRL WITH A PEARL EARRING
(Meisje met de parel)
Johannes Vermeer


c.1665-1667
oil on canvas
18 1/4 x 15 1/4 in. (46.5 x 40 cm.)
Mauritshuis, The Hague

"It is always the beauty of this portrait head, its purity, freshness, radiance, sensuality that is singled out for comment. Vermeer himself, as Gowing notes, provides the metaphor: she is like a pearl. Yet there is a sense in which this response, no matter how inevitable, begs the question of the painting, and evades the claims it makes on the viewer. For to look at it is to be implicated in a relationship so urgent that to take an instinctive step backward into aesthetic appreciation would seem in this case a defensive, AN ACT OF BETRAYAL AND BAD FAITH.

IT IS ME AT WHOM SHE GAZES, with real, unguarded human emotions, and with an erotic intensity that demands something just as real and human in return. The relationship may be only with an image, yet IT INVOLVES ALL THAT ART IS SUPPOSED TO KEEP AT BAY.
"

Edward A. Snow, A Study of Vermeer, 1979

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Perca (ou ganhe) horas lendo sobre Vermeer aqui.

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14- Escrever como Vermeer pintou esse olhar é impossível. Tente o impossível.

posted by JOÃO PAULO CUENCA | 9:18 PM


Terça-feira, Agosto 16, 2005

MANUAL DE INTENÇÕES (CONTINUAÇÃO)


Foto do português Alberto Monteiro



6- Você cria as suas próprias regras. Não siga as regras dos outros. Escreva seu próprio manual. (Esse aqui, por exemplo, escrevi para mim. Se eu fosse você, leitor, não usaria minhas regras.)


7- Não há porque existir alinhamento literário entre você e seus colegas de geração. Pode haver bons papos e pouquíssimas amizades. No mais e na hora de escrever, esqueça-os.


8- Antes de começar a escrever, leia algo que você escreveu antes, por mais que seja doloroso. Apure o estilo. Critique-se. E saia perdendo, sinta ódio e vergonha. Ou então, acredite que é um gênio. Acostume-se a viver entre os dois extremos. Não existe meio termo.


9- O que você escreve vai deslocar o eixo do planeta terra. Você está indo onde nenhum homem jamais esteve. Seja um lunático e não se questione por isso.


10- Esqueça sua família, mulher e amigos. Você não precisa ser responsável, evitar temas ou preservar ninguém na hora de escrever um livro. Não tenha medo de ser encarado como um sociopata. Quem te conhece, conhece. Quem não te conhece, não importa. Quem te conhece, também não.


11- Esqueça leitores, editores, críticos e filiações literárias.


12- Você não escreve para eles.


13- Você não escreve para eles.


(CONTINUA.)

posted by JOÃO PAULO CUENCA | 3:54 PM


Segunda-feira, Agosto 15, 2005

AUTRAN COMANDA

Já citei declarações e trechos da obra do Autran Dourado aqui nesse espaço, mas essa entrevista que ele deu à Folha de SP merece ser copiada na íntegra:

30/07/2005 - 09h10

Autran Dourado diz que escrever não dá prazer e é uma fatalidade
JULIÁN FUKS
Enviado especial da Folha de S.Paulo

Ao alto de um edifício antigo de Botafogo, numa rua outrora menos barulhenta do Rio de Janeiro, retirou-se Autran Dourado. Acorda cedo e já em horas primeiras beira prateleiras e estantes de seu apartamento à prazerosa procura por algum livro. Os pés trêmulos, as mãos trêmulas, o mal de Parkinson a afetar-lhe os movimentos, desvia-se de um e de outro objeto antigo, mineiros como seu dono. Hoje, na manhã que precede a tarde em que recebe a visita da Folha, opta por Edgar Allan Poe. Com Poe, nos espera.

Dourado aproxima-se da porta com a mesma lentidão com que, a partir da pequena cidade de Patos de Minas, onde nasceu, vem hoje aproximando-se dos 80 anos. Entre essas duas distantes e igualmente irrelevantes marcas no tempo, seu nascimento e esta entrevista, publicou, entre romances, contos e ensaios, 23 livros, alguns altamente prezados pela crítica, como "Ópera dos Mortos". Agora, até o fim do ano, verá todos eles reeditados pela Rocco, movimento que se iniciou pouco depois de ele ter recebido o Prêmio Camões de Literatura, em 2000. Em agosto, dois novos velhos títulos: "O Meu Mestre Imaginário" e "Violetas e Caracóis".

O prêmio o estimulou, sim. Ele não nega a honra de ter se alinhado a João Cabral de Melo Neto ou Antonio Candido. Mas Dourado, menos que entusiasmo, é pura resignação: em suas palavras, na voz igualmente trêmula, literatura e seus meandros convertem-se em acidente, em acaso. São pura fatalidade.

Folha - O senhor já disse que há um grupo de livros seus que pensa terem dado conta do recado. O que os dois que estão sendo relançados agora têm a acrescentar?

Autran Dourado - Sempre me perguntam, sobretudo quando vou a universidades, quais foram os autores que me influenciaram. Fiz "O Meu Mestre Imaginário" para não ter mais que responder a essa pergunta. Já estou quase com 80 anos, uma idade até vergonhosa de dizer, e em uma fase em que já selecionei meus autores. Leva-se a vida inteira selecionando os livros que se deve ler quando se está aposentado. Agora sei os livros que devo ler. E não tenho medo de clássicos. Os clássicos são necessários.

Folha - E o que seria o clássico?

Dourado - É aquele que, mesmo sem querer, inova. Alguém disse algum dia que ler Homero é chato. Mas a chatice não é uma qualidade literária para ser julgada.

Folha - A erudição é necessária ao escritor?

Dourado - A erudição é acidental, embora seja uma coisa que se busque. Quando o autor está começando a escrever, não pode pensar em ninguém. Nem em outros autores nem em seu público, porque sequer consegue saber quem é seu público. O escritor é aquele solitário. Eu não sei qual é meu leitor e não me submeto à posição de procurá-lo.

É por isso que vejo com certo escândalo o que está acontecendo no Brasil: pessoas jovens que se iniciam na literatura e querem logo vender livro. Têm vocação de best-seller. São fabricantes de livro, e o livro que você vê não resultou de nenhum esforço maior, não correu nenhum sangue por ele. Isso não é ser escritor. Vender livro é um acidente na vida de um escritor.

Folha - O senhor diz que o escritor é um solitário, e é impossível não pensar em seus personagens, que são também solitários, tomados de medo e angústia.

Dourado - Meus personagens se parecem muito comigo. Eu os conheço muito bem e sofro a angústia que eles sofrem. Não tenho nenhum prazer em escrever. Depois de pronta a obra, aí me dá uma certa satisfação, mas a mesma que dá quando se descarrega dos ombros um fardo pesado.

Folha - Se não dá prazer, então por que escrever?

Dourado - É também uma fatalidade. Você é destinado à literatura, e não a literatura a você. Escrever é uma imitação. A gente escreve feito um menino que vê o livro como um brinquedo e pensa "ah, eu quero um". Quando eu li pela primeira vez "Dom Casmurro", eu disse "puxa, eu quero o meu". Daí a necessidade que se tem de ler. Quando estou para escrever, gosto muito de ler um poema, Drummond, João Cabral. Não é o poema que eu vou fazer, mas acho que me prepara.

Folha - E que expectativa o senhor tem em relação à sua obra? Que inove sem que queira inovar?

Dourado - É exatamente isso. Não é propriamente um propósito, mas a idéia é transportar uma chama, que passa para outro e para outro. É um encadeamento de autores, de autores de uma mesma família literária. Mas eu vivi recentemente a experiência de reler minha própria obra, e me deu uma coisa quase como uma náusea. Me dá uma náusea pensar nessas perguntas todas. O que se deve procurar é escrever bem. E selecionar os poucos autores que se deve ler, que são os que aperfeiçoam o trato da linguagem. Porque literatura é linguagem carregada de sentido.

Folha - Os escritores são carapinas do nada?

Dourado - São carapinas do nada. Você citou aí um conto meu de que gosto muito: "Os Mínimos Carapinas do Nada". São os velhos que ficavam na janela de casa, esculpindo, tirando pequenas aparas de madeira, fazendo caracóis. Procurando o nada. Escreve-se para chegar ao nada. O enredo, por exemplo, é uma das coisas menos importantes no romance. É o artifício que o autor usa para prender o leitor, para engabelá-lo enquanto bate sua carteira.

Folha - E o que rouba?

Dourado - A emoção dele, sentir que ele está preso ao livro, que você o tem pela mão. E não que ele esteja com você na mão.

Folha - Escrever, então, é artifício, e não inspiração?

Dourado - Há na palavra inspiração uma certa traição. Eu prefiro "idéia súbita". Quando me vem uma idéia súbita, eu a cultivo até encontrar a forma do romance.

Folha - E sobre a possível morte do romance, que, depois das vanguardas, tanto se vaticina?

Dourado - Quando o Fernando Sabino foi passar uma temporada na Europa, ele voltou e me disse: "Você está perdendo seu tempo. O romance morreu". Eu disse: "Ô, Fernando, você está me dando uma notícia tristíssima. Porque eu acabei de deixar um romance na editora. Justo hoje você vem me comunicar a morte de um parente meu?". Não morreu. O europeu é que é muito preocupado com essas coisas.

Folha - E não vai morrer?

Dourado - Se vai morrer, eu não posso dizer, porque quem pode morrer antes sou eu.

Folha - No momento, o senhor está escrevendo alguma coisa?

Dourado - Estou preparando um livro, mas nunca mostro antes de estar pronto. Mas estou escrevendo com muita dificuldade porque estou muito preocupado com aquilo que é permanente na literatura. Que é o valor literário, sobretudo os valores formais. É um peso que aumenta com o passar do tempo. O peso de já ter escrito.

posted by JOÃO PAULO CUENCA | 10:31 PM
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